Viúva de Thiago Ruiz, Walkiria Filipaldi falou que se sentiu desrespeitada durante julgamento e deu detalhes sobre como tudo impactou sua vida e da filha de 13 anos
A família do policial militar Thiago de Souza Ruiz, morto em uma conveniência de Cuiabá pelo investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, em 2023, tem passado por diversas emoções desde a sentença de condenação de dois anos em regime aberto dada pela Justiça ao autor do crime, após três dias de julgamento. O resultado foi proferido na noite da última quinta-feira (14).
Walkiria Filipaldi, viúva de Thiago, relatou o sentimento de dor e um reavivamento do luto com os últimos acontecimentos. Walkiria, que também é policial civil, comentou sobre como tem sido tratar da situação com a filha que tem com a vítima, uma adolescente de apenas 13 anos.
A policial explica que, à época dos fatos, precisou tirar um tempo da instituição para estar 100% presente com a filha. Walkiria relembra que ficou afastada por cerca de seis meses e, quando retornou, ficou sabendo que Mario Wilson havia sido solto por meio de habeas corpus e lotado em funções administrativas, como a Central de Ocorrências. A esposa da vítima recorda-se ainda de como se sentiu mal ao descobrir que Mário Wilson estava trabalhando na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), localizada no bairro em que ela morava.
"Eu repudiava o fato, por muitas vezes, de ter faltado com um pouco de empatia [dele] com a minha situação. Uma vez eu estava indo almoçar e encontrei com ele na rua e, por diversas outras vezes, vi ele saindo da delegacia. Ele me via também. Aquilo me causou uma revolta muito grande", conta a investigadora.
O Thiago nunca foi agressivo. Eu quero pontuar que ele sempre andou armado como policial e nunca fez mal para ninguém. O Thiago nunca matou, alvejou ou baleou alguém, nem em confronto
Uma das questões mais sensíveis neste momento para a investigadora é a filha. Segundo Walkiria, a adolescente vem sofrendo muito desde a perda do pai, com quem era muito apegada. Com dez anos à época do crime, a menor "não entendia" que não o veria mais.
"Minha filha uma vez perguntou: 'Mãe, se eu morrer, eu vejo meu pai?'. Naquela idade, ela não podia tomar remédio [psiquiátrico], então ela estava fazendo acompanhamento. Aí veio uma época em que ela tava muito rebelde, não queria mais fazer acompanhamento, não queria mais falar o nome do pai, porque, segundo ela, trazia muita tristeza saber que ela não tinha mais ele presente. Eu vi a minha filha mandando mensagens pra ele no celular, falando: 'Oi, pai, como você está? Você tá bem?'. Como menina, a ausência de um pai é muito grande", diz Walkiria.
Agora, três anos após o crime e dois dias depois da sentença do autor, a investigadora destaca como toda a família de Thiago vem vivendo, novamente, o luto por sua perda. A policial teceu críticas à forma como os advogados de Mário Wilson trataram os familiares de Thiago Ruiz durante todo o período do julgamento.