REPRODUÇÃO - Foto: Pronunciamento dos representantes de vários setores da economia em relação ao fim da escala 6x1 - PODER360 no Youtube.
Representantes dos principais setores econômicos do país — incluindo a indústria, comércio, agricultura, serviços e shopping centers — se reuniram com a presidência do Senado Federal para manifestar forte preocupação com a forma como a proposta do fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho vêm sendo conduzidas no Congresso.
O setor produtivo acusa a Câmara dos Deputados de votar a matéria de forma "assodada" (com pressa excessiva) e puramente por motivações eleitorais, sem medir os impactos reais na inflação e no emprego.
"Esse projeto da câmara dos deputados é um atraso total. Ele retoma o que tinha antes da reforma trabalhista. Engessa tudo. Essa legislação nitidamente feita sem a mínima profundidade, sem a mínima responsabilidade e sem o mínimo conhecimento da vida real da economia do país." PAULO SKAF - Presidente da Federação das Indústris do Estado de São Paulo/FIESP
Alerta de inflação e repasse de custos ao consumidor
De acordo com os representantes, o prazo de transição curto proposto na Câmara não dá margem para micro, pequenas e médias empresas se adaptarem. O setor estima que o custo gerado pela mudança resultará em um repasse imediato nos preços das prateleiras e nos serviços gerais, calculando um impacto de aumento médio entre 6% e 8% nos produtos industriais.
Engessamento na Constituição e o exemplo chileno
Durante o pronunciamento, foi destacado que a escala 6x1 atinge hoje cerca de 30% dos 45 milhões de trabalhadores formais do Brasil, sendo fruto de décadas de acordos específicos por setor. A bancada empresarial defendeu que o "moderno" é focar no negociado sobre o legislado, padrão adotado no mundo inteiro, em vez de prever regras rígidas diretamente no texto constitucional.
Os empresários citaram o exemplo do Chile, que reduziu a jornada em 2024 e viu, como consequência, o aumento do desemprego, da informalidade e da inflação. O temor é que o Brasil piore o cenário de informalidade, que já atinge cerca de 44 milhões de pessoas entre informais puros e MEIs.
Pressão por debate técnico no Senado
O setor produtivo reforçou que não é contra debater melhorias nas condições de trabalho, mas exige que a discussão saia do calendário das eleições e passe por uma análise técnica profunda. A expectativa do grupo é que o Senado Federal atue como uma casa de equilíbrio e maturidade política para analisar as particularidades das mais de 2.000 atividades econômicas do país de forma democrática e sem pressa.
"Temos muita esperança que o senado com seus 81 senadores, possam ter equilíbrio e maturidade para discutirmos um assunto tão importante, tão crível com a devida responsabilidade, sem a influência de motivação eleitoral. Para que o Brasil mais uma vez não tenha o custo com medidas formadas intepestivamente." RICARDO ALBAN - Presidente da Confederação Nacional da Indústrias/CNI
Por: Redação VGFM
Fonte: Poder360 no Youtube